«Devemos evitar estratégias comunicativas incompatíveis com as expectativas sociais»
PGL - Tomás Rodriguez, 44 anos, berziano a morar em Santiago de Compostela, antropólogo de formaçom, afirma que todo acto comunicativo aspira a mudar as crenças e que a fonética é a marca de identidade mais forte dumha língua.
Tomás Rodriguez é berziano, como viveste a tua infância galegófona?
Pois discorreu entre a confusom e o ocultamento. Nasci numha vila mineira, a minha identidade oficial era a de leonês e a identidade natural, herdada, era a de berziano mas na escola éramos apenas 10% de bercianos e 90% filhos de imigrantes. Eu ouvia os velhos a falar dum jeito que já era diferente ao dos meus pais, e o dos meus pais já era diferente do meu, o meu distinto dos meus companheiros da escola e o dos meus companheiros diferentes entre si. Quando cresces aprendendo a dizer «se undio la bombigha d'aecho, esto nom tiêm gheito» (fundiu-se a lâmpada de afeito, isto nom tem jeito) e depois vais à escola e nom há quem che entenda essa tua fala (o chapurreau) ficas confuso porque nom achas referentes além da própria família e duns poucos vizinhos; deves mudar a tua fala e tomas consciência da própria diferença.
Fui medrando aprendendo a debulhar palavras no sotaque dos filhos dos mineiros: no manho, no andaluz, no transmontano, no mirandês, no castelhano, no luguês, no asturiano... Contudo, tivem sempre interesse por procurar um quadro de referência para o que ali se falava, ou se falara. Os velhos diziam que falavam «meio galego», na escola os professores defendiam que era berciano, de maneira nengumha galego por mais que se parecesse, era umha mistura, à moda do Bierzo, entre galego e castelhano. Assim foi que, de nino, eu pensava que falava essa mistura e procurava purificá-la tirando dela tudo o que nom fosse castelhano, até que um dia fui a Leom à casa dos meus tios, que volveram de Alemanha e abriram um bar; teria eu 9 ou 10 anos.
Ali aconteceu algo fundamental para a formaçom da minha identidade. Sucedia que eu estava na capital, no celme do espaço que me outorgava a minha identidade oficial: Leom. Foi entom que um grupo de senhores no bar deu em chufar-se e rir-se de mim, chamaram-me, entre outras cousas, «gallego cochino», «berciano empanada» ou «berciano botilho»; tomei consciência de duas cousas, umha que era berciano e nom leonês e, duas, que ser berciano implicava ser galego, porque eu, para os leoneses era «outro», nom fazia parte deles. Aquele simples acto separador apartou-me para sempre de Leom.