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documetos galego-portugueses e galego-leoneses mais antigos PDF Correo-e
Martes, 30 de Decembro do 2008

DOCUMENTOS GALEGO-PORTUGUESES E GALEGO-LEONESES MAIS ANTIGOS

Por Joám Manuel Araújo

A Revista Galega de Filoloxía, da Universidade da Corunha, difunde os documentos galego-portugueses e  galego-leoneses mais antigos, dos séculos XII e XIII

O ano 2008 finaliza com a publicaçom de duas muito interessantes monografias: umha da Revista Galega de Filoloxía, da Universidade da Corunha, que difunde os documentos galego-portugueses mais antigos, dos séculos XII e XIII, em trabalho de José António Souto Cabo, reputado medievalista da Universidade de Santiago de Compostela; e Veredas, da Associação Internacional de Lusitanistas, que oferece contributos de especialistas de vários países e áreas, que frisam diferentes manifestaçons e reptos respeitantes à diversidade da língua (Galego-)Portuguesa na actualidade.

Os documentos Galego-Portugueses e Galego-Leoneses mais antigos

A monografia número 5 da revista da Universidade da Corunha inclui a ediçom de 384 documentos galego-portugueses dos séculos XII e XIII, entre eles os mais antigos até hoje conhecidos. José António Souto Cabo diferencia 5 partes neste contributo, que se constitui numha verdadeira referência: principia com «Introdução» (pp. 9-29), em que apresenta os aspectos lingüísticos, e informa da ediçom e a leitura de documentos, e dos nom datados; na continuaçom reproduz (pp. 31-49) vinte e seis «Documentos latino-romances» a eles seguem (pp.51-355) 346 «Documentos galego-portugueses»; depois (pp. 357-367) mais 12 «Documentos galaico-leoneses»: e finaliza com (pp. 369-376) «Referências bibliográficas», em que oferece mais de cem fontes para complementar esta questom, entre elas dous estudos de Martinho Montero Santalha e um do próprio Souto Cabo (ele é a principal referência, com 14 estudos citados) difundidos originariamente na Agália (que prestigiam esta revista de Ciências Sociais e Humanidades da Associaçom Galega da Língua e lhe dam dimensom de interesse internacional), além de outros de investigadores galegos.

Souto Cabo esclarece (p. 9) que se trata de «escrituras de carácter notarial datadas entre 1139 e 1270», e que diferenciou três grandes grupos de acordo com as características scripto-lingüísticas. Afirma ter partido do trabalho publicado no número 85/86 da Agália, no ano 2006, e «seguindo os princípios de um inventário prévio pretendemos uma relativa exaustividade na reunião de documentos do período anterior a 1261 para a Galiza e antes de 1271 para os escritos procedentes do reino lusitano. No resto dos suspostos, o que se procurou foi sobretudo apresentar uma amostra significativa. É a este princípio que obedecem as colectâneas de textos latino-românicos e galaico-leoneses, bem como o das escrituras galegas datadas entre 1261 e 1270».

Na continuaçom (pp. 10-11) indica as 14 instituiçons em que se encontram guardados os documentos: onde mais, no Arquivo Histórico Nacional de Madrid (168) e no Arquivo Nacional da Torre do Tombo de Lisboa (114), a que seguem os da Catedral de Ourense (48), Arquivo do Reino da Galiza (15); Arquivo Histórico Provincial de Ourense, Mosteiro de Ante-Altares de Santiago de Compostela e Real Academia Galega (5 em cada caso); Arquivo Histórico da Universidade de Santiago, Arquivo Histórico Municipal da Corunha, Catedral de Mondoñedo e Museu de Pontevedra (2 em cada); e a Catedral de Toledo, Catedral de Zamora e Mosteiro de Ferreira de Pantom, com 1 documento.

A respeito das procedências, som 63 (pp. 11-14), das quais se encontram como as principais a Catedral de Lugo (47 documentos) o Mosteiro de Monte de Ramo (Galiza, 31 documentos), o Mosteiro de Osseira (28), Mosteiro de Ferreira de Palhares (também galego, 27), Mosteiro de Arouca (Portugal, 16), Chancelaria de Afonso III (14), Mosteiro de Samos (13), Mosteiro de Melom (12), Livro de João de Portel (Portugal, 11 documentos), Mosteiro de Monfero (11), Mosteiro de Sobrado (11), Mosteiro de Meira (10) e os 52 restantes com contribuiçom de 1 a 8 documentos, dos quais 27 sediados em Portugal, 23 na Galiza, 1 em Castela e Leom e outro em Castela-La Mancha.

Os escritos latino-romances principiam com 7 galegos; deles, o mais antigo é um sem datar, que Souto Cabo julga pertencer a 1130-1170, do Tombo de Lourençá; e 19 mais portugueses, dos quais o mais antigo, de 1139, é originário do Mosteiro de S. Simão da Junqueira.

Dos galego-portugueses, ha 246 da Galiza, que se iniciam com um texto de 25 de Agosto de 1231, do Mosteiro de Melom; e mais 98 de Portugal, que começam com um sem data, que Souto Cabo julga pode corresponder a 1173 mas, em todo o caso, ser anterior ao 15 de Abril de 1175, e que é o conhecido acordo em que «Os irmãos Gomes Pais e Ramiro Pais pactuam a paz entre eles e ajuda mutua face a outros indíviduos que se citam», um texto que notabilizou José Antonio Souto Cabo ao publicá-lo em 2003 na revista Diacrítica, da Universidade do Minho, e defendê-lo como o texto mais antigo da língua.

A respeito dos documentos galaico-leoneses, o mais antigo é de 20 de Novembro de 1236, procedente do Mosteiro de Ferreira de Aves.

Entre as valiosas informaçons deste volume, Souto Cabo emenda outros estudiosos que se tenhem ocupado deste assunto, entre eles aqueles galegos que, no ano 2006, num encontro relativo ao Mosteiro de Palhares datárom um documento no ano 1227 quando na realidade corresponde a 1257: adverte como a cronologia que defendiam, e que faria desse texto o mais antigo em romance da Galiza, era «incompatível com a documentação biográfica de diversos indivíduos citados nesse escrito». Também contesta um trabalho de Ramón Lorenzo, defendido num congresso organizado polo Instituto da Lingua Galega, afirmando que tem «inexactidões, por erro ou por omissão» ao referenciar os textos anteriores a 1261. O prestigioso medievalista galego também responde critérios utilizados por especialistas de Portugal.

Elabora assim José António Souto Cabo um trabalho cavado e concluinte sobre um assunto do maior interesse para a história da língua, que será desde agora referência inexcusável, e que também contribuirá sem dúvida para umha mais alargada projecção da Revista Galega de Filoloxía. Todo um acerto dos seus responsáveis, os professores Xosé Ramón Freixeiro Mato e Manuel Ferreiro, da Área de Filologias Galega e Portuguesa da instituição, por esta bela ediçom, que reproduz facsimilarmente alguns dos documentos estudados, o que resulta mais outro acerto.

Compostela, Dezembro de 2008.

 
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