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Reportagem sobre o Eu-Návia no Jornal "Novas da Galiza" PDF Correo-e
Venres, 11 de Decembro do 2009

 LINGUA E CULTURA E ASSOCIACIONISMO NO EU-NÁVIA

A. S. - A comarca do Návia-Eu é, de todas as terras estremeiras, a que antes se arredou institucionalmente da Galiza. Esse feito, junto ao convívio da idiossincrasia galega com umha forte identidade astur, tem distanciado muito mais de nós esta bisbarra do Leste; enquanto umha quantidade importante de bercianos e seabreses aderem a um certo sentimento galego, nesta terra entre os dous rios a localizaçom é mais equívoca.

Algum sector do asturianismo risca de “expansom galega” a vindicaçom da cultura tradicional; frente a esta posiçom trabalha um perdurável associativismo. Parte dele sente-se plenamente galego de naçom, enquanto outro, com a mesma legitimidade, se define como “asturiano de naçom, mas de língua e cultura galegas”. No entanto, o espanholismo mais exaltado aguilhoa de Oviedo o antigaleguismo mais primário.

O Eu-Návia é umha das comarcas mais orientais da Galiza. Milhares de galegos e galegas pudérom comprovar mais graficamente o seu encaixe geográfico no resto do país graças ao mapa que a organizaçom NÓS-UP editou há seis anos, com umha tremenda acolhida social. Esta primeira imagem da Galiza completa (que polia o mapa que Domingo Fontán realizara no século XIX) incluía também as terras do Eu-Návia. A comarca parte dumha rasa costeira bem plana, sulcada de pequenos vales, que conduz para um interior mui montanhoso, de geografia abrupta, arredado de Espanha pola fronteira natural da Serra do Ranhadoiro. Ainda a dia de hoje, e apesar do absoluto desentendimento institucional, sobrevivem 40.000 galegofalantes nesta terra. Além do galego falado, o idioma floresce numha cumprida literatura comarcal, que ganha corpo ao longo dos séculos XIX e XX. Nomes como os de Antolín Santos Mediante, um dos precursores, de temática ruralista, som mui conhecidos na zona.

Singularidade histórica

Na Idade Antiga, o território eunaviego estava habitado polos Albions, um povo incluído dentro da Gallaecia. Na Baixa Idade Média, a comarca fazia parte da diocese de Britónia, umha das divisons mais importantes do Galliciense Regnum. O começo do afastamento institucional começa com brigas intestinas da Igreja: no século XIII, o bispado de Lugo deixa esta comarca nas maos do bispado de Oviedo. Esta transferência administrativa nom obstaculiza a galeguidade da zona, nuns tempos onde ainda nom funcionava o esmagador aparato políticoadministrativo, educativo e económico dos estados nacionais. De facto, esta terra era conhecida como “Terra de Riba d'Eu” ao longo da Idade Média, e organizouse territorialmente sob o nome de Arcediagado de Riba d'Eu até há aproximadamente um século.

Alguns projectos de organizaçom provincial do liberalismo espanhol encaixavam de novo a comarca do leste no tronco galego. No plano do governo espanhol de 1810 –em plena convulsom revolucionária motivada pola guerra do francês– incluía-se na nossa terra. E o mesmo acontecia com os planos provinciais de 1813 e 1821. Que foi o que fanou esta reconduçom do Návia-Eu para a Galiza? A conhecida divisom territorial de Javier de Burgos, em 1833. Existírom projectos posteriores que matizavam a organizaçom proposta polo andaluz: em 1842, apresentou-se no congresso dos deputados umha nova proposta para constituir com o Návia-Eu a Província de Riba d'Eu. E ainda que nunca se materializou esta nova província galega, a transcendental desamortizaçom de Madoz já articulava disposiçons comuns para toda a Galiza, incluindo com toda naturalidade esta terra estremeira.

Um associativismo persistente

O associativismo da comarca, na melhor tradiçom galeguista, aponta para a recuperaçom erudita da língua, património etnográfico e cultura oral da comarca. As suas origens estám a meados da década de 80, quando um grupo de pessoas preocupadas com o idioma e a cultura advertem as intençons desgaleguizadoras do governo autonómico asturiano. A partir do “Grupo de Eilao pola Defensa da Nosa Lingua” e dumha associaçom de Íbias, chamada Antola, surgirá posteriormente a Mesa pola Defensa del Galego de Asturias e da Cultura da Comarca. As dificuldades postas ao seu labor fôrom importantes: primeira delas, a derivada de trabalhar numha zona rural e montanhosa, o que colocava obstáculos sociais e materiais.

Como aconteceu no resto da Galiza, aquelas zonas que subírom ao comboio do progresso económico, e onde se produziu umha certa mobilidade de classe, asinha abandonárom o idioma: esta é a parte costeira da comarca, em contraposiçom ao interior montanhoso, galegofalante, e onde esta associaçom fundamenta o seu trabalho. Além disso, o disperso da populaçom e o seu avelhentamento dificultou a acçom difusora da MDGA. Apesar de todo isto (e com um apoio notável de filólogos do ILG e activistas da Mesa pola Normalizaçom) a MDGA desenvolveu um importante trabalho de tipo académico e divulgativo. Abundam as publicaçons literárias (incluídas as infantis), históricas ou geográficas sobre a comarca, promovidas por esta associaçom. Aliás disso, a esta entidade se deve a primeira revista monolíngüe em galego da terra Návia-Eu, “A Freita”, que saiu pola primeira vez à rua em 1992.

Em 2003, a activa associaçom Abertal irrompe na comarca para robustecer a cultura galega em dezanove concelhos que falam o nosso idioma. O seu fim principal é “a consecuçom da cooficialidade da língua galega de Astúrias”. Frente as acusaçons asturianistas e espanholistas, entendem que a sobrevivência do nosso idioma contribui para a “riqueza indiscutível do património cultural asturiano”, a um tempo que pode abrir o Eu-Návia para o espaço galego-português. Estas proposiçons, de simples senso comum, nom servírom para fugir da hostilidade espanhola, que chega do jornal de Oviedo “La Nueva España”. A inícios deste ano, círculos galeguistas da comarca denunciavam a perseguiçom mediática da jornalista Raquel Murias, que acusava o passado bipartido de promover um “expansionismo galego” apoiado no associativismo cultural eu-naviego.

 

 
< Ant.   Seg. >
 
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