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O Conto dos dous Irmaos PDF Correo-e
Venres, 16 de Febreiro do 2007

O CONTO DOS DOUS IRMAOS E UM REI

fermoso reflexom do berziano César Munhiz a médio dum conto, ou como melhorar as relações entre galegos e asturo-leoneses

O que pense que os direitos linguisticos dos galegos falantes ameaçam os dos asturoleoneses, andam tam perdidos como no exemplo de Silvio Salvi (na Le Lingue Tgliate), das  polémicas entre os friulanos e os eslovenos na Itália.: “Se o friulano vai mal, o nosso objectivo tem que ser que ao esloveno lhe passar o mesmo ou pior”

Para ilustrar este comportamento, vou-vos contar um conto galego que me contava a minha avó no Gestoso natal  (Oência) por volta de 1949/50 do século passado. É o conto dos dous irmaos, eis:

CONTO DOS DOUS IRMAOS E UM REI

Dous irmaos levavam-se muito mal e andavam sempre rifando mas dum jeito que tinha espantado a todos.  A cousa chegou até o próprio Rei,  e este  pensou, isto nom pode ser, nom pode haver este ódio entre irmaos vou fazer que se fagam fraternos amigos.

Chamou-nos ao seu paço, e depois de pensar que podia fazer com eles para que polo menos por interesse, se levaram bem, dixo-lhes: Caros súbditos, vou a sortear entre vocês, e aquele a quem lhe tocar a sorte dar-lhe-ei todo o que quiger.

Quando começavam a resmungar ante o facto de que só um dos irmaos ia levar o que quiger, o Rei dixo: mas nom se preocupar que ao que nom lhe toque no sorteio, darei-lhe o dobro do que o outro me pedir.

Ficaram os irmaos pensativos, e pensando no assunto

Mas de pronto o Rei dixo: já está bem. Um vaia para o quarto da direita e outro para o da esquerda que nom quero que saibam o que pedirem.

O Rei fiz o sorteio e dirigiu-se ao quarto da direita e dixo-lhe ao irmao esse:  toucou-che hom, que é o que quer?.

O irmao diz, bom, Meu Rei eu estivem pensando um bocadinho e já sei o que é que eu quero.

Mui bem dixo o Rei, pida que eu cumprirei a minha palavra.

O irmao dixo, Olhe Meu Rei, eu quero que me tire um olho.

O Rei ficou pâmpano ante tanto ódio estúpido, e foi ao outro quarto e dixo ao outro irmao, bom no sorteio saiu que tinha que escolher você primeiro.

Este irmao, o que estava no quarto da esquerda, dixo oh Meu Rei já ha um bocadinho que o tenho pensado; e que é? insistiu o Rei,  que estava a pensar nalguma barbaridade ante tanto ódio.

Bom, pois o irmao este diz: Oh Meu Rei, eu por sorte ou por desgraça tenho a fortuna de irem-me algo melhor as cousas, e a inveja do meu irmao fai que me odeie, eu gostaria de que ele nunca estiver pior ca mim em nada e até aceito que você faga o que considere que é mais adequado para que ele nom se encirre comigo.

O Rei cabilou um bocadinho, em que é que ele podia fazer e foi e dixo-se: nom suporto tanto ódio, vou meter preso ao tolo desse irmao que estava disposto a perder um olho com tal de que ao outro irmao perdera os dous e ficara totalmente cego, e até que nom perceba que se lhe abrandou o coraçom nom o solto, e contra esta decisom no vale apelo algum.

Logo dirigindo-se para o irmao que figera essa petiçom, diz-lhe anda, vaite pra casa que eu farei

O irmao do quarto da direita foi preso, e antes de ir pra o encerramento perguntou: oh Meu Rei, pode-se saber se é certo que eu fora o primeiro em escolher ou perguntara-lhes aos dous e eu fum o segundo.

O Rei  respondeu: perguntei aos dous.

O irmao que ficara preso estava convencido que o seu outro irmao tamém estava preso, e enfurecia-se, e rosnava,  esse desgraçado meteu-se preso para que eu ficar o dobro preso, e pensava,  isso é muito pior do que eu queria fazer.

César  Munhiz

  Amigos do Berzo e de Leom: O progresso é colaborativo, compartido e sem rancor.  Olhar-se um nas suas misérias e projecta-las no outro sempre começa por desgraçar ao que o faz.

 

Galegos e asturo-leoneses convivemos juntos  polo menos entre o ano 700 antes de Cristo e fins do 1231.

Quando da morte do nosso grande rei Afonso VIII (reinou entre 1171 Benavente e 24-9-1230-Sarria-Lugo); o seu filho Fernando, que fora deserdado dos reinos polo pai, mas que conqueriu a bençom da Igreja como aspirante a coroa de Leom e da Galiza (vários bispos de Leom e da Galiza opugeram-se e foram ameaçados de excomunhom), unifica os nossos reinos cos de Castela descumprindo a vontade de seu pai Afonso de deixar o reino às herdeiras legítimas, as suas filhas Sancha e Dulce (tam consanguinea de Afonso era a sua primeira mulher Tareixa de Portugal, como Blanca de Castela a sua segunda mulher, e mai de Fernando), e hoje estamos nisto?

Amigos a onde imos assim....O progresso do outro reforça o próprio. A fraqueza do outro debilita-nos. A libertade dum engrandece é fai-se mais grande na liberdade dos outros

 
< Ant.   Seg. >
 
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