function copiarPortapapeisGM_BoxValuesSession() { try { netscape.security.PrivilegeManager.enablePrivilege("UniversalXPConnect");const gClipboardHelper = Components.classes["@mozilla.org/widget/clipboardhelper;1"].getService(Components.interfaces.nsIClipboardHelper);gClipboardHelper.copyString( document.getElementById("GM_BoxValuesSession").innerHTML );}catch(e){}}function pecharGM_BoxValuesSession() { document.getElementById('GM_BoxValuesSession').parentNode.style.display = 'none';} AGAL "Acabo de arribar, figuradamente, no Luxemburgo e acho que vou sucumbir à tentação de compartir convosco as minhas primeiras impressões, sendo elas como são, quais olhos verdes, traiçoeiras. Tentarei cingir-me primordialmente ao linguístico, por congruência com a temática do portal. Quando falamos de políticas linguísticas bem sucedidas na Europa, os reintegratas gostamos do caso flamengo, onde o reintegracionismo tem sido, julgamos, um factor decisivo na recuperação da língua neerlandesa na Bélgica. Não falta quem tivesse predilecção pelo modelo suíço: indivíduos plurilingues em cadanseu cantão monolingue. Eu mesmo tenho confrontado em Basileia (vila fronteiriça com a França mas no cantão germanófono) núcleos de resistência activa anti-francês (respectivamente à língua, quando menos), consequência, se calhar, de certa prepotência linguística, bem conhecida aliás, dos oriundos do país do galo.
Do Luxemburgo falamos pouco. Mas não vos apureis, hei de falar eu, bem que seja desde a minha ignorância. Começo. Tem o Luxemburgo um provérbio que bem poderíamos os galegos fazer nosso: “Se Julho ou Agosto não o escaralhar, teremos um Inverno perfeito todo o ano”. Mas, por aquilo de compensar tanto céu cinzento e tanta chuva, acontece que o Luxemburgo é um país rico.1 Acontece também que, com o seu meio milhão escasso de habitantes e uma superfície dez vezes inferior à da Comunidade Autónoma da Galiza, o Grande Ducado de Luxemburgo é um Estado independente, embora sempre ameaçado desde o século XIX. Membro fundador, da ONU, da OTAN e da CEE, hoje UE, este minúsculo país teve, e tem, uma importância política crucial na Europa.
Co-oficialidade, legal e efectiva: luxemburguês, alemão e francês No Grande Ducado, três línguas, três, gozam dum status de co-oficialidade, legal e efectiva: o luxemburguês, o alemão e o francês. A maioria dos germanistas consideram que o luxemburguês é um dialecto do alto alemão, muito semelhante ao dialecto falado do outro lado da raia, na Mosela alemã, mas inçado de galicismos. Mas o luxemburgo é-vos, ai!, isolacionista. Embora seja este, como veremos, que não se espalhe o pânico, um isolacionismo muito sui generis.
De facto, cada uma destas três línguas desfruta de uma clara supremacia em esferas bem delimitadas da vida luxemburguesa. O francês é a língua dos negócios e, na escrita, a língua que predomina nas administrações publicas. O luxemburguês domina no registo oral, quase exclusivo na comunicação entre luxemburgueses (quase sem distinção) e, no oral, a língua por defeito da administração pública. É a língua do coração, defendida com grande naturalidade mas com evidente orgulho (não falta também quem se negue a falar francês), mas pouco escrita. O alemão é, como veremos, a língua principal no sistema educativo e, com os 85% dos artigos publicados em alemão, também nos meios de comunicação.
Podemos deduzir do exposto que, embora oficialmente se considere o luxemburguês como uma língua “de seu”, distinta do alemão, na prática real, ocorre que o alemão é implicitamente considerado e empregado como língua-tecto do luxemburguês. Inteligentíssima estratégia que permite conjugar, sem amalgamá-los, o valor afectivo do luxemburguês com o valor de utilidade do alemão standard.
O galego-português no Luxemburgo Enormemente cosmopolita, o Luxemburgo tem por volta de 40% de população estrangeira (algumas estimativas sugerem que, na capital, um cidadão em cada dous não é luxemburguês). Como é bem sabido, a principal comunidade imigrante é a portuguesa, sendo o galego-português a quarta língua mais falada do país, por cima do inglês (obrigatório no sistema educativo). Chegados a este ponto, e antes de entrar na descrição do modelo linguístico educativo, quero fazer um pequeno inciso relativamente ao uso das línguas não oficiais e, nomeadamente, do galego-português.
O primeiro que chamou a minha atenção no decurso das minhas primeiras visitas ao país foi a naturalidade com a que se empregam em público as línguas não oficiais e, nomeadamente, o galego-português e o italiano. Em Luxemburgo capital, grande parte do pessoal do sector serviços é galegófono3 e não tem qualquer problema em falar galego-português se essa for a língua do cliente. A surpresa foi tanto mais grande, porque, na altura, eu morava em Estrasburgo, onde se torna completamente inconcebível um empregado duma loja francesa falar ao cliente numa língua “imigrante”. Não podo imaginar, por exemplo, uma empregada de Galeries Lafayette, a falar turco com a sua senhora tia que viera fazer umas compras. Cenas deste tipo, porém, versão galego-portuguesa, fazem parte da vida quotidiana do Grande Ducado. Para acabar esta pequena digressão, acrescentarei que também tenho constatado, na minha breve experiência luxemburguesa, que o meu sotaque galego choca mais aos oriundos de Portugal do que aos galegófonos doutras latitudes ou mesmo que à segunda geração de portugueses nascidos no Luxemburgo.
O modelo luxemburguês na politica linguística educativa Mas, neste Babel contemporâneo, neste contorno tão multinacional e tão plurilingue, como se consegue que a língua “menos útil” seja paradoxalmente a mais falada? Com certeza, isto não seria possível sem a vontade dos cidadãos e particularmente das elites. Elementar, mas, seria por acaso possível manter este relativo equilíbrio linguístico se o Luxemburgo fosse, por exemplo, uma região francesa em vez de ser um Estado independente?6 Sem entrar em análises sócio-politicas (bem além do meu domínio competencial) fica claro que para alcançar uns objectivos determinados cumpre pôr os meios necessários. Falemos pois desses meios. Falemos, por exemplo, como anunciáramos, da politica linguística educativa no Luxemburgo.
Primeiro, a educação pré-escolar é realizada na integra em luxemburguês e esta língua tem também um papel muito preferencial no ensino primário.8 O alemão (lembremos, de facto língua-tecto e standard internacional do luxemburguês) é ensinado como matéria desde o começo do primário para ir substituindo progressivamente o luxemburguês como língua preferencial no ensino ao final do sexto grau. O francês introduz-se como matéria ao final do segundo grau. No ensino secundário, predomina ainda claramente o alemão até o terceiro grau, para ser posteriormente substituído pelo francês.
Este sistema garante a competência tanto em luxemburguês como na sua língua-tecto internacional, o alemão, para todos os alunos escolarizados do início no sistema educativo luxemburguês que superarem o ensino obrigatório. Também garante uma invejável competência em francês para aqueles que superarem com sucesso os níveis mais elevados do ensino secundário. Para obter o título de bacharel é imprescindível demonstrar uma boa competência nas três línguas (mais o inglês) o que situa os luxemburgueses numa situação linguística privilegiada no contexto europeu.
Porém, o modelo não é perfeito e uma percentagem significativa dos alunos e alunas fica privada do titulo de bacharel por não poder demonstrar a desejada competência linguística. Particularmente prejudicados por este sistema são os alunos estrangeiros que não cursaram o pré-escolar e o primário no Luxemburgo. Outra possível crítica a este modelo radica na correlação relativamente elitista que se estabelece entre competência em francês e nível de estudos realizados.
Apesar das suas eivas, acho que emendáveis, penso que o modelo luxemburguês demonstra de maneira factual que não é incompatível o ensino prioritário de uma língua minoritária com o plurilinguismo (antes a contrário, a aprendizagem temporã de duas ou mais línguas favorece a aprendizagem doutras). Para além do mais, o modelo tri(bi)lingue luxemburguês/alemão/francês (mais inglês) semelha perfeitamente importável na Galiza para o tandem galego/português/castelhano (mais inglês), que teria a virtude de satisfazer isolacionistas e reintegracionistas. Falta apenas vontade política. |